Pix: após alta de crimes, veja como se proteger de golpes e sequestros

Sequestros-relâmpago subiram 39% após chegada da ferramenta. Confira dicas de delegado e do Banco Central para evitar riscos

Desde a criação do Pix, prestes a completar um ano de funcionamento, os sequestros-relâmpago voltaram a aumentar substancialmente — 39,1% em São Paulo, de janeiro a julho —, bem como se abriu uma nova gama de possibilidades para quadrilhas aplicarem golpes.

A ferramenta de pagamentos e transferências instantâneas, pensada para facilitar as transações pelo meio digital, exige atenção redobrada para que os usuários não se tornem vítimas de grupos cada vez mais especializados nessa modalidade de delito.

Tarcio Severo, titular da 3ª Delegacia Antissequestro, da Polícia Civil,  buscou as orientações do Banco Central a fim de compreender o avanço desses crimes e listar dicas para diminuir os riscos e como proceder caso os atos sejam consumados.

O delegado afirma que, até a disponibilização do Pix, em novembro de 2020, os sequestros-relâmpago eram um tipo de delito “com índices controlados, adormecidos”, que mês a mês viveu um aumento significativo no último ano.

Isso porque, segundo ele, esse tipo de crime deixava as quadrilhas em condição de risco, uma vez que tinham de ir a caixas eletrônicos para fazer os saques ou usar os cartões em outros estabelecimentos — “Isso os expunha nesse tipo de obtenção da vantagem”, comenta. Porém, o novo meio de fazer as transferências instantaneamente simplificou o processo: “Criou-se uma febre nos criminosos de praticar esse tipo de crime”.

Hoje, com a facilidade, os grupos se especializaram e se dividem entre células, explica Severo. A primeira é responsável pelo “arrebatamento” da vítima, até que seja levada a cativeiro e, por meios violentos ou ameaças, informe os dados bancários e abra seu aparelho celular para a realização das transferências.

Devido à criação do Pix, prossegue o delegado, as quadrilhas criaram uma célula com experiência e conhecimento em informática e nos procedimentos bancários para a transação. “A transferência é instantânea, então ficou mais prática, rápida e mais lucrativa para eles. Por isso, criminosos de outras modalidades, como roubo a residência, a veículos, também passaram a cometer esse tipo de delito”, conclui.

Que cuidados devo tomar para evitar os sequestros-relâmpago?

Acerca dos cuidados relacionados aos sequestros-relâmpago, Tarcio Severo aconselha que, primeiramente, os usuários entrem em contato com seus gerentes bancários e estabeleçam um limite de valor para o Pix e outras formas de transferência.

Além disso, quem possui carro não pode demorar ao sair de casa dirigindo, tampouco ficar por muito tempo parado com o veículo na rua e os faróis acesos ou falando ao celular, “que propiciam uma vulnerabilidade”.

“Criminosos gostam de facilidade, então preferem essas vítimas que não vão conseguir esboçar reação ou tentativa de fuga do local”, diz Severo.

Às vítimas de sequestro-relâmpago, o delegado orienta que a primeira ação após o crime deve ser comunicar a polícia “em todos os casos”. Posteriormente, o cliente deve procurar seu banco, cuja conta teve os valores subtraídos.

(Fonte: R7 – Pix: após alta de crimes, veja como se proteger de golpes e sequestros)